Em breve, relatórios de sustentabilidade não serão mais voluntários
Atualmente, a publicação de um relatório de sustentabilidade é totalmente voluntária: a empresa decide se quer mensurar e relatar publicamente seus avanços e percalços no trato com comunidades, clientes e meio ambiente – apenas para citar alguns dos inúmeros itens que compõem o checkp-list do modelo desenvolvido pela Global Reporting Initiative e que se tornou a referência nesta área. Mas em breve tais relatos essa realidade deve mudar.
Indício dessa tendência foi o anúncio, feito no final de janeiro, pela Security and Exchange Commision http://www.sec.gov/ - órgão do governo norte-americano responsável pela fiscalização do mercado de capitais abertos (algo como nossa Comissão de Valores Mobiliários). Ela passará a fornecer orientação (guidance) às empresas de capital aberto nos Estados Unidos para o relato de riscos relacionados com as mudanças climáticas. http://www.sec.gov/news/press/2010/2010-15.htm Segundo a comissão, devem ser reportados assuntos relacionados com leis, regulamentações e acordos internacionais relativos ao aquecimento global que possam ter impacto sobre os negócios. Também são passíveis de divulgação eventuais impactos sobre a performance da empresa gerados por desenvolvimentos científicos, tecnológicos, políticos ou legais - além, naturalmente, de mudanças físicas no ambiente ou mercado onde a empresa opera. Ou seja, o aquecimento global deixou de ser querela de cientistas e se tornou um issue legal nos Estados Unidos: agora ele é oficialmente encarado como um risco para o investimento. E será tratado como tal. Transparência, portanto, é indispensável daqui para a frente.
Outra indicação de que a comunicação dos riscos ambientais deixará de ser voluntária é a decisão do Carbon Disclosure Project (CDP) de solicitar dados referentes ao consumo e fornecimento de água das empresas associadas. Para que você tenha uma idéia do que isso significa: o CDP representa atualmente 475 investidores que, juntos, gerenciam US$ 55 trilhões em ativos. Um pedido destes caras, definitivamente, não é algo que possa ser ignorado. E eles querem saber quais os riscos apresentados pela crescente escassez de água.
Quando pesos pesados desta natureza começam a se preocupar com o assunto, dificilmente ele continuará sendo mera boa vontade da empresa. Disso podemos tirar duas conclusões: 1) elas terão que ser mais rigorosas no seu trato dos recursos ambientais – afinal, ninguém quer ser pego sem uma boa resposta para a questão do risco ambiental; 2) os relatórios de sustentabilidade devem se tornar mais comuns e cada vez menos voluntários.
Houve um tempo em que a Global Reporting Initiative fazia campanhas para que os investidores demandassem informações de sustentabilidade das empresas. Deu certo: eles começaram a pedir.
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