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Ser e fazer: comunicação em um mercado socialmente responsável, na visão da Thymus Branding


mundo-dentro-do-olho-versao-webA tecnologia da informação acelerou o tempo até o tempo zero, mais conhecido como real time: a ausência de intervalo entre o momento em que se toma conhecimento de um fato e a hora em que ele ocorre.  Ocorre que empresas e pessoas estavam acostumadas a se comunicar no tempo diferido, ou seja, exatamente nesse intervalo que existia entre informação e acontecimento.  Era nesse gap, que também pode ser chamado de bastidor, que era possível elaborar e manipular a realidade.  Essa era a zona de segurança do emissor da mensagem.   Mas ela não existe mais: o ganho de envergadura da tecnologia da informação criou uma realidade de transparência – o que acontece, acontece agora e está ao alcance de qualquer um.

A principal consequência dessa mudança é que ela torna a transparência um fator dentro do cenário que qualquer pessoa ou empresa deve considerar ao se comunicar.  Ao se tornar característica de cenário, a transparência deixa de ser virtude, um valor ou opção: ela sai do plano moral direto para a realidade, business as usual.  Por isso, em uma sociedade que vive em tempo real, expondo-se o tempo todo, quem não coloca transparência no negócio o coloca em risco.

Mas o que significa tirar transparência do plano moral e colocá-la no cenário? Em palestra no painel “Redefinindo o Marketing e a Comunicação das Empresas num Mercado Socialmente Responsável”, realizado na Conferência Internacional do Ethos, Ricardo Guimarães, autor da linha de raciocínio exposta acima, explicou que essa mudança significa reconhecer que tudo comunica: o jeito como se atende o telefone, a forma como se cancela uma reunião, a maneira como se dispõe o lixo…  Tudo o que você, pessoa ou empresa, faz comunica o que você é e como você pensa.

E quando tudo comunica, comunicação deixa de ser uma ferramenta e passa a ser um exercício de identidade.  Cuja credibilidade varia de acordo com o grau de controle percebido: por isso a comunicação mais crível é quando não estou falando de mim mesmo, porque aí o controle é tido como certo.  É quando não há controle (ou sua percepção) que os outros identificam minha verdade.

Se é assim, então como fazer comunicação?

Para Ricardo Guimarães, o primeiro passo é o que ele chamou de “estado de consciência”, ou seja, ver-se dentro de seu contexto.  A cultura (empresarial ou pessoal) precisa ser construída dentro de uma realidade que impõe limites.  Mas não adianta ter consciência e não agir segundo ela, isto é, não ter processos produtivos coerentes com crenças e valores, não ter qualidade, não ter respeito pelo outro…

A comunicação em uma sociedade de transparência sem espaço para a manipulação da realidade, na qual tudo comunica e onde a comunicação mais crível é aquela que ocorre fora dos momentos destinados a essa prática cria um paradoxo: o jeito de fazer é ser, citando Lao Tsé;  mas o jeito de ser é fazer.

Este é o paradoxo dos novos tempos, segundo Guimarães.  Esta é nossa nova realidade.



Tags: ciethos, comunicação corporativa, engajamento de stakeholders
Categoria: Artigos

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