Comunicação e desenvolvimento sustentável na visão da UNICEF
Uma das melhores apresentações da Conferência Internacional do Ethos foi a de Ana Penido, Coordenadora do UNICEF para os estados de Minas Gerais, São Paulo e Sul do Brasil, durante o painel “Redefinindo o Marketing e a Comunicação das Empresas num Mercado Socialmente Responsável”. Foi gratificante ouvir, em sua fala, a premissa que gerou a criação da Aviv Comunicação: que a comunicação é um requisito para a promoção do desenvolvimento sustentável, pois seu uso planejado e estratégico viabiliza a promoção de mudanças. Nesse sentido, a comunicação para a sustentabilidade se propõe objetivos ligeiramente diferentes daqueles que pautam a comunicação corporativa tradicional:
· Desenvolvimento de valores (dentro da cultura empresarial);
· Construção de legitimidade social (estabelecendo a coerência entre a ação e o discurso);
· Promoção do diálogo e participação na governança (reforçando a necessidade de ouvir);
· Interlocução qualificada com os diversos públicos (o que pressupõe dar resposta ao que se ouve);
· Disseminação de posturas responsáveis, influência positiva e formação de cidadãos (engrossando o coro dos que acreditam que comunicação é também educação);
· Ação em rede (o meio é a mensagem, lembra?).
Em todos estes tópicos, subjaz a convicção de que o convencimento não se dá mais pela persuasão, mas pela incorporação de valores e sua tradução em atitudes. Um processo de comunicação preciso, consistente e contínuo é capaz de gerar a conscientização, compromisso e ações concretas necessárias para a postura de responsabilização que embasa iniciativas como as Metas do Milênio, Indicadores Ethos ou GRI, apenas para citar dois exemplos de auto-declaração das empresas. Por este motivo, a estruturação da comunicação para a sustentabilidade também tem diferenças em relação à comunicação corporativa tradicional:
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Tradicional |
Contemporânea |
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Vertical |
Horizontal |
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Unidirecional |
Rede |
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Poucas fontes |
Muitas fontes |
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Fácil controle |
Difícil controle |
Ou seja, quem trabalha com comunicação também está diante de um aprendizado. Não há receita de bolo que diga como fazer. Mas há indicativos do que é necessário fazer:
· Usar a força do comportamento, ao invés do poder.
· Portanto, deixar de apenas difundir (cima para baixo) e fomentar a participação (de baixo para cima).
· Esquecer a necessidade de informação, que está gerando stress em tantas ferramentas (comunicação interna, relações com imprensa) em prol do foco na informação necessária para cada público (exercendo a coragem de selecionar o que é relevante).
· Parar de promover a concentração da mídia e apoiar o processo em curso de democratização do acesso, da produção e da veiculação de conteúdo.
· Sair da zona de conforto da comunicação de massa (broadcast) e se aventurar no maravilhoso mundo da comunicação interpessoal (redes).
· Usar a comunicação como facilitador de relações na migração da setorialização (minha empresa fala de si) para a intersetorialidade (minha empresa, outras empresas, o governo, a sociedade, a imprensa, as ONGs falam de minha empresa).
A comunicação para a sustentabilidade é a comunicação em apoio a mudanças de comportamento, de políticas públicas, estruturais e sustentáveis. Exige uma postura democrática, aberta ao diálogo e flexível nas negociações. Impõe humildade a todos os agentes do processo, pois sua construção é também aprendizado: eu aprendo com você e você comigo. E desta forma, ressignificamos o Admirável Mundo Novo, do Aldous Huxley: ele pode, sim, ser admirável!
Tags: ciethos, comunicação corporativa, comunicação interna, engajamento de stakeholders
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Um comentário para “Comunicação e desenvolvimento sustentável na visão da UNICEF”
Brilhante reflexão. Sim promover mudanças por meio da comunicação planejada e estrategicamente desenhada para a promoção do desenvolvimento sustentável. É uma tarefa árdua, no entanto, para o profissional que atua nas empresas com comunicação corporativa convencer o empresariado de que a comunicação corporativa para a sustentabilidade é aquela que apoia mudanças de comportamento e exige maior debate não só quanto às políticas públicas ou estruturais, mas fundamentalmente quanto às políticas internas de cada empresa e a sua postura perante o mundo. Mas é para isso que estamos aqui.